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SÁBADO, 21 DE OUTUBRO DE 2017

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11 de OUTUBRO de 2017

Mulher de Nem, ex-chefe do tráfico na Rocinha, é presa no Rio de Janeiro

A mulher do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, foi presa na terça-feira na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, a 30 quilômetros da favela na zona sul.

A prisão de Danúbia Rangel, 33, ocorre no dia em que as as Forças Armadas voltaram a operar na comunidade, em São Conrado, zona sul.

Ela estava foragida após ter sido condenada a 28 anos de prisão por tráfico, associação ao tráfico e corrupção.

Danúbia foi detida por volta das 16h quando saía de carro, sozinha, do apartamento de uma amiga, próximo ao Morro do Dendê, na Ilha do Governador, zona norte. Ela foi levada à Cidade da Polícia, também na zona norte carioca, para o cumprimento de mandado de prisão. Ficará detida no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste.

Danúbia deixou a Rocinha em setembro, após racha da facção ADA (Amigo dos Amigos), que controla do tráfico de drogas no morro. O conflito completa um mês na próxima terça (17). Rogério Avelino, o Rogério 157, era segurança de Nem e havia herdado parte do controle da venda de drogas na Rocinha desde que o chefe foi preso, em 2011.

A guerra começou porque, da cadeia de segurança máxima em Rondônia, Nem ordenou que Rogério devolvesse as bocas de fumo a um de seus aliados. Rogério se negou a entregá-las, matou aliados de Nem e expulsou sua companheira Danúbia do morro.

PERFIL

Nascida no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte carioca, Danúbia tem outros dois chefões do tráfico no currículo amoroso: Luiz Fernando da Silva, o Mandioca, e o substituto dele, Marcélio de Souza Andrade. Ambos morreram em confrontos com a polícia, o que lhe rendeu o apelido de Viúva Negra.

Foi em 2006 que ela conheceu Nem em uma festa e se mudou para a Rocinha. Tempo depois, nasceu Yasmin, filha do casal.

Desde que conheceu o traficante, ela mergulhou num mundo de luxo. Ele a presenteava com passeios de lancha, helicóptero e joias, entre elas um pingente com a letra N em referência a ele próprio.

Nas redes sociais, há diversos perfis atribuídos a Danúbia com fotos em que ela exibe sua roupa e seu estilo de vida. Em 2008, o traficante chegou a organizar para a mulher um show do rapper americano Ja Rule na favela.

No entanto, nem tudo eram flores na relação: escutas telefônicas revelaram que Nem agredia a mulher por ciúme. Em mais de um áudio obtido pela polícia, Danúbia relata a uma amiga que havia sido agredida.

Apesar disso, desde a prisão de Nem, ela defende e faz juras de amor e fidelidade ao traficante nas redes sociais.

OPERAÇÃO NA ROCINHA

As ações desta terça (10) na Rocinha são desdobramentos da operação que busca reprimir esses grupos em guerra.

Polícia e Forças Armadas fizeram operação conjunta em busca de depósitos de armas e drogas na mata da parte alta da favela.

Os militares retornaram à comunidade onze dias após desmontarem o cerco à favela. Segundo as autoridades, a ação desta terça foi pontual.

As tropas chegaram já na madrugada, às 5h40, e deixaram a favela por volta das 15h desta terça.

Sete blindados e 550 homens das Forças Armadas se juntaram a outros 550 policiais militares, que ocupam a comunidade desde a saída das tropas federais, em 29 de setembro. Caes farejadores e detectores de metais foram usados nas buscas.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio, que coordena as atividades, não divulgou balanço da operação nem confirmou nova ação nesta quarta (11).

Desde o início do confronto e das operações integradas, 11 supostos traficantes foram mortos -quatro na tentativa de invasão- e 28 pessoas pessoas foram presas, dos quais cinco menores de idade apreendidos.

Foram apreendidos ainda 21 fuzis, cinco escopetas e 19 pistolas, além de 35 granadas. Mais de duas toneladas de drogas também teriam sido encontradas.

ÚLTIMOS DIAS

A saída das Forças Armadas resultou em um recrudescimento da violência na Rocinha. A Polícia Militar faz incursões diárias em pontos estratégicos em busca de criminosos dos dois grupos que ainda estão no local.

Só no final de semana, três civis foram baleados em razão dos confrontos. No domingo, após troca de tiros, dois suspeitos foram encontrados mortos. A polícia não divulgou a identidade deles.

Já na segunda, policiais do Batalhão de Choque prenderam duas menores de idade e uma mulher com uma mala com drogas. Um dos braços direitos de Rogério 157 também foi preso, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Ao todo, 3.344 alunos ficaram sem aulas nesta terça-feira, com o fechamento de oito escolas e creches municipais na Rocinha. Ao longo do dia, houve tiros esporádicos na favela. Mototaxistas pediram paz em um protesto em frente à comunidade.

Na operação, militares circularam pela área de mata, que permite aos bandidos locais para guarda de drogas e rotas de fuga para as zonas sul e norte do Rio.

O porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Roberto Itamar, afirmou que o fato de a operação ter sido encerrada não significa que os militares não possam ser empregados novamente.

A reportagem apurou que nenhuma carga relevante foi achada neste primeiro momento. Segundo uma fonte envolvida na operação, contudo, o resultado é considerado positivo porque as forças de segurança puderam descartar locais que tinham sido indicados como possíveis depósitos.



Fonte: Folha Press



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